sábado, 6 de outubro de 2012

"Ele me deu um beijo na boca".

O expediente encerrado.A euforia é nítida no seu semblante. O presságio está presente na dinâmica do jovem, bem-apessoado. Sapatos de cano curto; bico fino; a cor marrom, jeans preto (a tonalidade do jeans é esbranquiçada uma lavagem) dando um tom desbotado (moderno), t-shirt preta mantém o caráter das vestimentas; sério e neutro. Algo que poderia comprometer o harmônico visual do jovem seria seu assessório (uma sacola com as cores da bandeira francesa estilizada nos moldes da bandeira brasileira e a logo da torre Eiffel). Porém sua atitude impõe uma personalidade forte, sem torna-lo extravagante. Resplandecendo o sorriso para todos os outros passantes no corredor da empresa. O jovem tinha dentro dele inquietude. Poderia ser o tempo? Talvez. Ele (o jovem ) não tinha certeza de nada. Nem outro homem com quem iria encontrar em instantes tinham certeza de algo. Os dois estariam sujeitos ao acaso do destino. Assim dito nos romances. Romances que nos fazem emocionar a cada página lida. O jovem na companhia de outro amigo, observara os transeuntes detalhadamente. A tarde nublada. O sol escondido atrás das nuvens. Vestia paletó e aparentemente seus trajes complementares eram sofisticados para o dia. A ansiedade preenchia o seu estado emocional. Na tentativa de ocupar sua solidão, cogitou um amigo para irem ao cinema e foi em vão. Suspirou o quanto pôde. Quando de repente um homem passou sorrindo e com o olhar fixo ao dele surgiu um clima de romance.
O jovem hesitou porém o homem continuou a sua espera. Disfarçou pegando um aparelho telefônico, a espera do outro (o jovem) aproximar. Ambos desejavam inconscientemente este encontro.
O rapaz bem vestido, recordou-se de quando esteve em Istambul. A cidade para ele tem um clima de melancolia. Logo logo voltou a realidade, deparando se com aquele outro homem a sua espera. Como aproximar-se? O que dizer? O quererás dele? O que ele quer de você (o jovem)?
A postura ereta assumia muito bem seus trajes e seu desejo. Lá estavam os dois cara a cara, com risos sem jeito, olhares tímidos e a voz tremula sem muita afirmação.

"Ele me deu um beijo na boca".
Uma conversa sem muito nexo, algumas identificações quando a conversa abrangia cultura. E risos mais confiantes. Tanto um quanto outro não queriam despedires. Outros assuntos tomaram conta do encontro e foram caminhando lado a lado. Jantaram, um menu simples; yakissoba vegetariano. Já que o homem revelou que seus hábitos alimentares eram saudáveis e não ingeria carne de "forma alguma" . Após a refeição o pedido seguinte seria o tradicional café. O homem pediu dois cafezinhos, o jovem recusou alegando que a substância cafeína impediria-o de dormir. Porém o jovem atrevido lhe pediu um beijo na boca. O desejo de apurar seu paladar como a canção de Caetano Veloso, "ele me deu um beijo na boca". Sem jeito o homem aceitou pouco acreditou no pedido. Indeciso sorriu. A funcionária do modesto local ouviu o pedido atrevido do jovem, descrente de que fosse consumado. "- E aí, tô esperando o beijo com aroma de café!" enfático permissivo desafiador lançava o jovem ao homem prudente.
O jovem polido e outro homem sentaram se ao banco de uma praça. Dialogaram mais um pouco. Até o homem convidar o jovem polido para continuarem aquela noite juntos. A postura tênue do homem ao fazer o convite de terem uma noite agradável, inseria música de boa qualidade; bom vinho cabernet sauvignon e alguns crossant. Serviriam para o café da manhã.
"-Fica a vontade..." Ou -" Sua casa é realmente uma graça". As boas maneiras de pessoas civilizadas e boa educação. As aparências do primeiro encontro. Quando tudo é motivo para um julgamento latente.
A sensatez do toque entre eles. Lábios e línguas pouco a pouco vão aderindo, a voz embarga sendo substituída por uma respiração ofegante e intensa. Elogios sinceros seguidos de palavras dóceis a tradução de um sentimento genuíno ou ilusão do jovem carente e o homem solitário? Sem resposta para o fato consumado. O gozo delimita o prazer? Talvez. Porém o jovem mantém um olhar permissivo. Esperançoso da relação prosseguir. Suspirou o quanto pôde. Lá estavam os dois na cama lado a lado acariciando um ao outro. Ambos desejavam inconscientemente este encontro.

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