terça-feira, 30 de outubro de 2012

INDO & VINDO

Era um dia nublado uma tarde cinzenta e fria do mês de JUNHO DE MIL NOVECENTOS E OITENTA E QUATRO o dia em si não me recordo bem, porém é uma data que marcou minha vida e de outras pessoas. Começa aí o post comentado superficialmente no post  BEM ME QUER MAL ME QUER ... EU QUERO.

Minha mãe sentenciou neste momento um dos maiores traumas que carrego comigo. Um pouco difícil de explicar... [os dedos ficam enrijecidos diante das teclas do computador, cria-se uma bolsa de lágrimas nas pálpebras inferiores a garganta tem um tipo de pigarro insistente a sensação é tão ruim que causa conseqüências graves... Afeta tanto meu ser que posso encerrar este post agora mesmo como uma sessão lacaniana.

Fique cientes, isto é doloroso, mas acho necessário. Faz parte de um processo de amadurecimento e entendimento de si próprio. Auto-analise. Já que exponho aqui minha vida como um diário, expor este trauma não é como me exibir na rede social com imagens de: - TÔ FELIZ PRA CARALHO. curti?! Ou: - QUE MERDA DE VIDA, compartilha?! 
Arrepiado ou será uma emoção contida com o fato de revelar uma historia que molesta meus sentimentos. Prometo não esmorecer...


Frio cinza e uma criança sem saber o que lhe iria acontecer. Uma jovem aos prantos segurando algumas sacolas plásticas com roupas de criança, de mãos dadas com aquela criança de olhar perdida. Os dois desamparados. Cada passo dado a jovem mãe dilacerava seu coração e a criança acumulava uma angustia sem saber muito bem o motivo. O silêncio acompanhava aos dois, nada deveria ser dito naquele momento em que os dois caminhavam. Assim que chegaram ao local que seria o destino daquela criança. A noite já chegara. Duas mulheres na cozinha e uma senhora idosa sentada na varanda numa cadeira de ferro cujos detalhes com folhas e rosas impressionaram a criança ao ponto de fazê-la brincar nestes detalhes. A criança distraída a mãe poderia conversar tranquilamente com as duas mulheres que sorriam no olhar e no semblante.

Nítida a satisfação delas em ter um bendito fruto entre eles. Pois ainda viria o homem da casa. Tudo iria mudar. Dos úteros secos dos ventres daquelas mulheres eis que surge a benção. O “pequeno príncipe preto” daria alegrias e tristezas  daquelas mulheres. Iria preencher algo que eles desejavam. Um filho. Mesmo não tendo vínculo sanguíneo. O amor incondicional superaria qualquer obstáculo.



A jovem MÃE aos prantos. Os soluços logo tornariam se gritos abafados de arrependimentos e o abraço dado ao filho que ela tanto amara seria ocasionais.
Choro grito e INCONFORMADO a criança permaneceu assim durante algumas semanas.
Com tempo e assim faz valer para situações como esta a criança já não sentia tanta falta de sua mãe. Brinquedo roupa e os amiguinhos (e amáveis vizinhos) da bucólica rua estariam ali para suprir por algumas horas a imensa saudade que ele sentiria após todos os anos. E até hoje senti.



Os anos passaram se, porém aquela criança que hoje é um homem adulto continua com essas imagens na sua lembrança. Indo e vindo como as ondas do mar. Na tentativa extirpar o trauma transformá-lo num ato de amor que a jovem mãe realizou. Disto ele tem consciência. Graças a esta atitude ele hoje escreve a vocês leitores. Superar traumas como estes e outros de proporções ou dimensões maiores é um fato que devemos ter sensibilidade e respeitar. A dor de cada um compete somente aquele ser humano. O perdão tem que ser uma prática diária e exaustiva. É um passo para nossa evolução no mundo espiritual. Aonde todos nós iremos nos encontrar um dia quiçá.

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