É o final do mês de março, ainda não dei meu parecer sobre o meu carnaval de 2013.
Tentei duas ou mais vezes relatar os dias de folião nesta festa esfuziante. Porém foi puro desânimo meu. Confesso ter feito deste carnaval como outros anos. Um retiro cult. Fugi da regra um dia e bastou para ter ciência que minha folia pode ser realizada quando eu quiser (de preferência nos finais de semana).
Mais uma vez em busca do refúgio voluntário. Isolado na sala escura do cinema no intuito de ser um "cara" cult. Assisti uma boa parte dos filmes que foram indicados ao Oscar (de 2013); praticamente vi toda série “House of card”, diga-se de passagem, que é extraordinária; li o tablóide “O Globo” aproveitei para ficar mais integrado na política brasileira influenciado pela série “House of card” [cujo roteiro foca nos bastidores da política americana]. Uma coisa puxa a outra e assim inicia uma sensação. Caos de informações e indignação diante da historia que é a política dos homens.
Bem da verdade o que nos interessa é o relato da noite de folia. Que graça tem saber da rotina de ir ao cinema e outras firulas do cotidiano.
Desejei algo peculiar. Sigo o guia do tablóide “O Globo” que apresentava as variadas opções para "pular" no carnaval. Como resido na zona oeste, destinei minha alegria para lá. Antes devo confessar que ouvi inúmeros comentários positivos sobre o local. Não hesitei. Portando um sorriso apático. Porém otimista e crédulo da diversão que só acontece se você mesmo admitir alegria que esta dentro de você. Intuindo isso cai no bloco carnavalesco que saia no instante que coloquei o pé na estreita rua tomada por barracas e ambulantes que vendiam o combustível (bebidas alcoólicas) necessário para evoluir na “avenida”. As pessoas no recinto tinham a procedência familiar. O ambiente harmonioso era convidativo a bailar. O bloco da “BALEIA” compunha de um grupo pequeno de ritmistas e foliões (vestindo a camisa do bloco). Segui o fluxo e a alegria daquelas pessoas simples na sua forma de divertir. Embalados pela percussão sem harmonia; o coro desafinado e o combustível (bebida alcoólica) faziam o momento especial. Recriava em minhas lembranças os carnavais de tempos remotos. Crianças; adultos e idosos fantasiados encarnando outra pessoalidade deles próprios entregues ao acaso. Lá estou empolgado na frente dos ritmistas como um fiel passista que defende o brasão da escola de samba a suor sangue (exagero o sangue) e suingue. O samba contagiou-me de uma forma que flui durante uma hora sem parar. Exausto paro numa barraca típica, a fim de recompor e turbinar minha empolgação. Bebo um latão de cerveja; fumo um cigarro. Percorro a pequena distancia que sobra do bloco e a rua até ao final (uma rua sem saída). Vejo uma enorme tenda (próximo ao deck nas areias da praia) uma movimentação fora do comum. Desço até o local. Espreito. Aproximo-me ao ouvir os primeiros timbres que sai das caixas de som espalhadas pela enorme tenda.
Converto-me do tradicional esquindo lelê para o bate-estaca sem pestanejar. Horas depois sem camisa e desnorteado pela bebida alcoólica sento no deck. Observo a minha volta. Dou uma risada rara de felicidade. Decido ir embora quando reencontro um conhecido. A alvorada anunciava sua chegada e o cansaço nítido foi subitamente esquecido. Aliado ao conhecido o ritmo é tomado novamente pelo tamborim.
Alivio minha bexiga e aproveito para flertar inconscientemente do ato. Bebo mais um pouco. E o estágio de felicidade esta atrelada a condição alcoólica de libertinagem. Ao final tenho sorte de uma carona (de carro; o amigo do meu conhecido) que me deixaria próximo de casa. E durante este percurso que aflora outra historia. Nem adianta questionarem o que aconteceu. Num próximo post comento.
Em suma março foi um mês de ressaca moral. Porém o estímulo e as aventuras sempre latejando. Ano que vem farei do período pagão (carnaval) diferente como os enredos das escolas de samba; índios, colonizadores (europeus), negros (escravos) e sensualidade.

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