domingo, 20 de janeiro de 2013

O AZULEJO



Desde a mudança definitiva de Mada (Maria Madalena) para casa que um dia eu vivi. O lar doce lar de minha oprimida infância e conturbada adolescência tem sido variavelmente meu pouso tranqüilo.
Onde revisito meu passado encaro o presente e não me atenho ao futuro.
Mada esta empenhada na reconstrução da casa. A cada visita que faço algo dentro da casa muda. O piso antigo fora substituído por algo mais moderno e límpido. As portas dos quartos foram trocadas e suas posições redimensionadas. O banheiro foi totalmente modificado. E restam poucas coisas do passado, na casa.
Eu me pergunto o porquê dessa observação? Respondo enfático o passado esta se esvaindo e o futuro começa nitidamente. Porém ao ver o azulejo da cozinha. A cozinha da qual vi a primeira reforma depois de muitos anos. Sou atingido por um raio de nostalgia.
Por alguns minutos encontro me estático admirando o simples azulejo e reflito sobre minha vida até o presente momento. Peço ao pedreiro (Senhor Gilberto) quando ele for retirar (quebrar) aquele azulejo e substituir pelo novo para guardar um azulejo (intacto) talvez seja a capa de um dos meus livros. E sem uma relação afetiva com exatidão. Co- relacionado ao mestre artista plástico Sélaron, morto no dia 10 de janeiro de 2013. Por uma das suas obras mais conhecida e famosa. As escadarias da Lapa (Rio de janeiro) coberta por diversos azulejos.
Faço minha singela homenagem. Uma figura que eu pouco tinha intimidade. Porém sua obra artística era para mim parte da família. A numerosa e diferente parentada freqüentadora do espaço. Vivi episódios curiosos e excitantes. E todas as vezes que via Sélaron. A empátia era imediata. Meu cumprimento estava impregnado de uma admiração homérica e reverência ao mestre. Seja onde for. Desejo o repouso dos justos ao Sélaron (dos azulejos) Como os meus familiares repousam agora.


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