Ele não escuta o telefone celular tocar. Está concentrado no noticiário. A notícia é importante. Minutos depois verifica o aparelho celular a ligação perdida. Hábito que mantém para ter certeza das horas. Volta-se para o aparelho de televisão atencioso a imagem que ali passa. Normalmente os noticiários resumem-se somente em duas edições matinal e noturno. A tragédia envolvia um número considerável de pessoas. Aturdido com a notícia cogita se a ligação (perdida) que não ouviu poderia estar conectada a tragédia.
Sentado com olhar distraído. O pensamento vagueia em algum momento da vida que esta fixa no subconsciente. Um sinal de nascença; daqueles que você por um lapso esqueceu-se de ter aquela marca no seu corpo, pois é orgânico ( faz parte) . A espera sentado no café-bar que possui características do tempo que já passou igualmente à lembrança que agora lateja.
A busca é lenta; pisca os olhos sente levemente os cílios tocarem da forma mais delicada possível. Abre os olhos e não vê o que esta a sua frente. Enxerga a lembrança; não visualiza o aqui e agora no tempo real das coisas que acontece. A imagem sobre exposta. Vê aproximar ao longe quem chega. O garçom prestativo pergunta o que ele deseja beber. Seco dispensa o serviço. Ainda sorri o jovem garçom quer manter seus serviços à disposição. Prontamente a atender o desejo do cliente afasta-se da mesa. O garçom volta-se constantemente o olhar.
Conduz o olhar ao pulso que tem o antigo relógio dado por alguém especial. O ponteiro de segundos gira conforme sua ansiedade. E o outro ponteiro evidencia a espera. Uma hora é tempo suficiente para recordar e decidir não mais esperar. Ergue-se convicto do que é certo. Porém mais uma vez seus olhos piscam e faz com que a decisão seja adiada por instantes. A fim de dar uma chance a si próprio concedendo ao outro a oportunidade de ressalvas.
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