sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Solidão amiga.

Vagando em pensamentos sombrios sem ao certo saber a razão destes pensamentos. Ele suspira para aliviar um sentimento inócuo. Aturdido vasculha na mochila pesada, os objetos indesejáveis; capa de chuva guarda – chuva, casaco, a marmita improvisada num vasilhame de plástico velho, o tablóide do dia com noticias sensacionalista, a garrafa plástica com alguns mililitros de água, o livro (a Bíblia) que mal lê. Um amontoado de prospectos que pega na rua quando lhe é oferecido.
Procura algo que pode consolar sua solidão. Sentado no banco do ônibus que trepida a cada atrito com asfalto danificado. Tem suspenso o pensamento por segundos. Trás de volta a realidade que insiste fugir. Ou evitar. Nada lhe satisfaz a bem da verdade. O emprego lhe causa náuseas, os poucos amigos que lhe resta já não suportam o comportamento instável provocando um isolamento natural. No pequeno cômodo onde dorme e é ocupado com alguns pertences. Lhe sufoca ao ponto deixar sem ar e gerar tremores. Ao recordar tal incômodo sôfrego cerra os punhos.

Ao seu lado uma moça de olhar distante evidencia também sua solidão. Nas poucas expressões que esboça é nítida a solidão. Os olhares de ambos (tanto dele quanto o dela) perdiam-se na diversificada paisagem da natureza rude acompanhada do concreto depredado ao progresso inacabado empoeirado.
Os dois (ele e ela) contidos ao pequeno espaço físico permitido. Algumas pessoas dependuradas pela haste fria do veículo. Corpos exauridos. Ele desviava o olhar e ela permanecia atônita com um olhar fixo ao seu horizonte. O pensamento seguia em direção as preocupações do dia seguinte. Ela mentalmente organiza sua vida aos planos que podem  deixar de existir num piscar de olhos ou no telefonema de quem se espera noticias imprevisíveis. Resgata a lembrança do noivado que mantém por conveniência familiar. Pois o compromisso firmado estabelecido na convenção da família cristã apostólica romana algo que não entusiasma tanto como sua mãe e as outras mulheres da família. 

Sim, acordaria as seis horas da manhã. Levantaria da cama com o corpo ainda vagaroso e daria passos arrastados. Suspirando no preparo do café, ajeitando o lençol da cama com ares de relutância, na verdade desejava desfrutar um pouco mais daquele velho e conhecido colchão (e os lençóis) deitar olhar para o teto enxergar paisagens paradisíacas que costuma ver quando distraidamente folheia as revistas do consultório onde dá expediente diariamente de segunda a sábado. Devaneios são abruptamente rompidos pela freada do transporte coletivo.

- Caramba! Exclama assustada. Outros passageiros grosseiramente dizem palavras esdrúxulas para o motorista. Culpa o condutor que possivelmente freou bruscamente a fim de evitar um acidente Ele balança a cabeça reprova a atitude dos demais. Milésimos foram decisivos para que ambos entre-se-olha-se e a formalidade do cumprimento de: - Oi! Ele ainda arriscou: - É realmente perigoso... Numa dessas que ocorre um acidente... Ela ouviu e não passou de uma afirmação com a cabeça. Quis evitar ao máximo a conversa com ele. Gostaria de evitar qualquer constrangimento pelo fato de ter compromisso; o noivado.
Ele sentado ao canto do assento favorece a sim mesmo encosta sua cabeça na janela. Retrai seu corpo num simulacro do feto. Consternado por ter sido sutilmente repelido. Fecha os olhos intui que a simulação do sono lhe proteja. Ruídos ao seu redor desperta sua membrana das pálpebras superiores saltarem seguidamente obrigando-o abrir os olhos. Expressa descontentamento por estar aprisionado voluntariamente. Necessita ir. Mesmo contra sua vontade. Amanhã será outro dia, contudo a rotina permanece. Morde os lábios com a arcada dentaria superior nos lábios inferiores provoca dor. Sucumbi à dor, crê que alimenta a solidão. A solidão persiste num vácuo, a dor preenche e faz sentido.  Lastima de um homem carente sem ter uma companhia. Um mal do século XXI nos imbróglios da vida. 

O excessivo consumo por bens materiais desnecessário. O isolamento no espaço virtual. A violência gratuita que pouco a pouco é dissipada no meio. Tanta coisa que impulsiona a reclusão e o desenvolvimento da misantropia.  Ela boceja, nota-se o tédio provocado das horas a fio sentada no assento rígido. Cercada por pessoas que nunca vira ou se já viu não são tão interessantes quanto à pessoa ao seu lado transparecendo um incomodo silencioso.

[ O texto continua no próximo post.]

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Nu sou eu. Vestido qualquer um.

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Ano passado (em 2011 quando estava no refúgio voluntário em Salvador) iniciei minha incursão para escrever meu primeiro livro. Não sei muito bem onde o livro estará classificado nos rótulos da literatura. E muito menos se será lido pelo grande público.  Talvez alguns amigos possam ler para formalidade da amizade. Eu prefiro acreditar que será um bom livro no momento que inicio minha carreira literária.

E foi pensando nisso. Na carreira literária que esboço [rascunho íntimo da minha vida...] no blog VALEUMVIDAEGO. Os traços, ou melhor, as palavras e que são uma das características que irei desenvolver ao longo dos livros que irei lançar. Pesquisei ao meu modo autores que tenho certa identificação. Neste processo devo agradecer a GEORGIA PUGÃ CARAN  (a melhor amiga de todos os tempos) apresentou livros que influenciam hoje no meu estilo... Trópico de câncer, Contos hediondos, na estrada, Sangue Frio, Morangos Mofados, O corno de si mesmo; Misto quente... MICHEL ANDRE PERRIN (um amigo que sempre me presenteia com livros que acrescenta na minha jornada) Fragmento do discurso amoroso; Os cães ladram e a caravana passa; Como viver; Em busca do tempo perdido; Palimpsest e outros.

Volta e meia estou diante de Morangos Mofados de Caio Fernando de Abreu. E lá estou eu como escritor. A identificação é tanta que penso estar plagiando qualquer um dos seus contos. O que não é verdade. Antes mesmo de ler os seus contos e já vinha escrevendo. Como comprovar? Não sei. Mas é a mais pura verdade.
Estou tão imbuído que parei de escrever um pouco o livro. Para quando for retomar, quero ter outra “pegada”. Uma abordagem diferente da que iniciei. Evitar o estilo Caio Fernando de Abreu de escrever. Ter minha própria linguagem. Sei que até adquirir este patamar irá ser um processo árduo. Nada na vida é fácil.

Aqui estou escrevendo. Para quem exatamente? E por quê? A priori posso lhes dizer que escrevo para manter me vivo.[ Meus dedos batem nas teclas do computador ansioso a espera que surjam palavras letras sílabas uma frase quiçá. Tem ânsia de escrever. Pulsando acredito que posso contribuir para este mundo cruel e caótico. Não vou disfarçar minha insatisfação, contudo sou uma pessoa que quer fazer e acontecer. Tenho para mim que através das palavras eu dou sentido aos meus sentimentos...]  Só assim existo. Respiro pelas teclas do computador, como pelas palavras que vem em minha mente até formar uma frase. Ando com os pensamentos incessantes. E choro a cada “queda” brutal dos meus lapsos. Da minha solidão e carência. E urgência de viver.[ A minha vida louca e intensa. Risos estridulosos. A cada sofrimento que invento ou cada situação lastimável que estou vivendo. Torna - se uma válvula de escape. Alivio meus temores e tormentos. Dissipo a merda da culpa cristã que injetam em nossas mentes e nos perturba (... até o dia da libertação. O dia em que qualquer coisa que for dita considerará (um sinal corporal com os ombros) TANTO FAZ.]... Aqui estou [escrevo ao que vem a minha mente, o que passa no meu corpo...]

Nomes possíveis para o meu primeiro livro:
Menino colete.
Conto 3.
Meu drama.com.
Lá eu fui e aqui sou.
Nu sou eu vestido qualquer um.

sábado, 10 de novembro de 2012

Sem querer

- Não é assim que age numa situação desses... Eu sei, mas como agir quando a vida lhe coloca nessa situação?
Nunca fui uma pessoa de incertezas em relação à vida amorosa. Até porque eu era um PESSOA sem muitas inclinações para paqueras e flertes.
Lembro de uma vez que me encontrei nesta dúvida. Mas nada como ouvir aquela voz chamada intuição. E assim foi durante muitos anos.
Coleção de romances (namoros ou algo parecido) também não foi meu forte. Enquanto inúmeros coleguinhas, amiguinhos e conhecidos viviam intensas relações de namoro. Contentava-me nas paixões platônicas. Essas (paixões platônicas) eram meus deleites. Sofri chorei e até me casei com uma dessas paixões. E se bobear posso ter uma recaída dessas. Não faz tanto tempo estava desenvolvendo uma paixonite. Por alguém que no primeiro momento pareceu me muito atraente pela genuinidade e inteligência sensível. Era o tal par perfeito.Porém não foi adiante por minha própria loucura sentimental. Seria um impasse sem solução.


"...Tá passando na cabecinha de alguns aqui como seria bom uma suruba agora..."

Tem figuras (pessoas) que se eu reencontrar terei imenso prazer (coloca prazer nisso) em declarar que fui intensamente apaixonado.  Cultivei momentos maravilhosos (de nós, eu e a pessoa) juntos. Ensaiei discursos de apaixonado; brigas (com retratação logo em seguida) e todas as fantasias sexuais possíveis.
Muitas dessas paixões tornaram se amigos (a) para esclarecimento geral da nação a maioria. Sinto uma felicidade sem descrição para afirmação do laço fraternal. Outras paixões que foram concretizadas em alguma situação, do tipo um beijo, um carinho ou uma transa fugaz. As concretizações das paixões platônicas reverberam com brilho majestoso do sol depois de dias tão frios. É bom. Sacia o desejo.

Da minha infância até a fase adulta (em que me encontro neste momento) tenho brutalmente um despertar desses. Impossível de controlar. Vem como o vento e esvaíra sem precedentes.Sem querer. Um olhar um gesto  me apaixono. Já disseram que é uma carência aguda. Outras julgam de maneira rude é afirmam ser uma viadagem promíscuo ... Antes de prosseguir um adendo  [ A paixão platônica não se envolve com outro sexualmente] . Tem o discurso que um queridíssimo mestre de artes cênicas faziam quando captava energias errôneas no momento oportuno de repassar sua avaliação. Dizia ele : " - Tem gente que acha que essa coisa de ator... (ajeitava o cabelo) Que artista precisa comer o mundo... Todo o mundo... ( gesticula excessivamente) E assim vai... Depois quando carrega a fama de piranha vadia viado (tosse) É é assim sim e nem adianta querer me enganar... Tá passando na cabecinha de alguns aqui como seria bom uma suruba agora.... (gargalhada estridente) "
Não concordo mas também não discordo. Vale o ego? Então vamos lá...

* Este post não poderá ser concluido pois ainda tenho muitos anos de vida ... E compartilhar opiniões mas só de poder iniciar este desabafo é um alívio. Ufa!