segunda-feira, 16 de março de 2015

EU MATEI MEU PAI...

Bem meu pai não morreu e nem matei o próprio. Motivos não me faltam mas prefiro mantê-lo  vivo e o destino ficará encarregado de dar fim o que ele mesmo traçou na sua trajetória de vida.
Essas coisas que tanto dizem por aí, não chega ser uma crendice, diria uma tradição popular ou superstição. É o tipo de coisa que você já fica ciente sem mesmo saber ler ou escrever. Até mesmo ter discernimento... Um dia você morre. - NORMAL.

A  SENTENÇA DA VIDA...
 Afinal todos nós iremos desencarnar um dia. Esta é a única certeza que temos quando nascemos. Afirmação deste presságio me leva ao sentimento de amor e ódio. Pode parecer uma loucura esta comparação.  A mim não. Cabe a cada um a reflexão que lhe conforta. Porém seguindo a filosofia e a psicanálise, matei sim. E arrependido tentei ressuscita-lo como Jesus Cristo. - Ó, pai!
 Ainda não é possível este milagre. - Lamento. 
Sinceridade admito que amo meu pai e sempre amarei mas o sentimento de ódio lateja como as batidas do meu coração. -É vivaz. Me pergunto como estes  dois sentimentos estão tão próximos e  possuem sentidos distintos.
Em dois mil e nove, por aí, escrevi o roteiro do curta metragem "ÓDIO", uma trama com fortes influências do drama grego. No retorno ao Brasil depois de uma longa temporada nas ilhas gregas. Imbuído pelas tragédias gregas e a onda de crimes passionais que ocorrem na nossa desestruturada sociedade moderna. Confirmaram o ensejo do meu subconsciente. - Matar meu pai. 
Sim, ele estava morto durante um longo tempo. Sua ausência é constante na minha trajetória de vida porém permanece em mim, o complexo de rejeição. Gera magoa e a insegurança atrelada na minha persona. É... Nem eu sei ao certo como lidar com toda esta situação. Terapia, é uma das alternativas viáveis para extirpar tamanho trauma. A rejeição do meu pai [ sem essa de querer nomear a culpa ou até mesmo a transferência da minha frustração.] reflete hoje, ontem, talvez amanhã ... Deixo essa incógnita no ar. "O futuro à  Deus pertence" dito isso. Continuo acreditando na possibilidade do meu amado (e odiado), redimir-se e aceitar seu filho primogênito ( no caso eu mesmo) e o caçula ( MATEUS ). Tampouco aguardo esse fato ansiosamente. Vivo sem ater-me essa esperança. Recordar o ditado mais popular " - Quem espera sempre alcança. Ou a esperança é a última que morre." Fico com os dois.
UM SONHO, O REENCONTRO E A REALIDADE
Fazia alguns dias que um sonho... Uma espécie de pesadelo vinha assombrando as minhas noites. Minha querida amada tia LINA ( irmã mais velha do meu pai), tia essa que tenho muito carinho.
 Encontrava-se internada num hospital [que eu não consegui identificar ] deita na cama, com um voz mansa, pronunciava dificultosamente  as frases - Meu filho... Celso, estou muito doente. Preciso de ajuda..." . Não passava disso. Duas ou três vezes.





































Tomado por essa angústia, decido ir até sua casa na Baixada Fluminense, no bairro chamado Nilopólis. Para de fato saber o que vem acontecendo. Lá vou eu, determinado e ciente de que meu pai iria estar lá. Pensei em tanta coisa para dizer ao tal. Porém nada disso aconteceu. Fiquei aturdido. E para minha surpresa ele ( meu pai) não me reconheceu. Pior foi a notícia que meu tio GERSON (Xirá) faleceu. Em meio a esse vendaval de emoções; me despeço da minha tia Lina, meu pai SÉRGIO (e mais presente na sala) ... Completamente emocionado pela perda do meu querido tio GERSON e amuado por mais uma vez ser rejeitado pelo meu pai.
A pergunta que não quer calar. Quem morreu nesta história? O filho que foi mais uma vez rejeitado ou pai que o filho inconscientemente matou?
* Inspirado no filme cujo o titulo é "EU MATEI MINHA MÃE" de Xavier Dolan. Jovem cineasta canadense.


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